O dia em que o mundo saiu de nossas mãos

Fabricio Oliveira - Pindamonhangaba /SP

Ir ao computador e acessar a internet logo depois que acordamos tornou-se uma prática comum na vida de muitos brasileiros. Seja para ver recados no orkut, ler e-mails ou trabalhar, nos tornamos dependentes de algo que quando falha nos causa grandes transtornos.

Semana passada os computadores de todo o estado simplesmente pararam. A Telefônica, empresa responsável pela internet em São Paulo, informou que a pane gerada teve origem em equipamentos responsáveis pelo roteamento (distribuição de dados) de sua rede. Depois de 36 horas tudo voltou ao normal.

O ministro das comunicações, Hélio Costa, frustrou aqueles que dizem que a internet é algo infalível. Em uma de suas declarações sobre o problema o ministro admitiu que “o sistema de transmissão de dados e banda larga no Brasil é vulnerável".

Um professor da USP declarou que o problema ocorrido é comum a qualquer equipamento eletrônico, de acordo com ele o que faltou foi um plano de emergência que pudesse resolver a situação em poucos instantes.

No Brasil já sabemos que as coisas precisam acontecer para que providências sejam tomadas, mas este fato nos leva a uma reflexão extremamente importante. A pene ocasionada na internet fez com que o mundo saísse de nossas mãos em segundos. Somos acostumados a controlar tudo pelo computador. Será que num futuro não muito distante esta nova era não nos reserva surpresas um tanto desagradáveis?
Os escritórios liberaram seus funcionários mais cedo e repartições do governo não puderam trabalhar. Até que ponto vale a pena trocar o homem pela máquina?

O importante não é destacar que a tecnologia é algo que nos faz mal, até porque sua evolução prova a capacidade de desenvolvimento do ser-humano. Ao contrário a tecnologia só surge a partir dos processos de evolução do homem. O homem e a máquina constituem as duas entidades mais problemáticas do planeta. Mas porquê falar da máquina como uma entidade autónoma exterior ao homem quando foi este que a construiu?

O homem apoderou-se da natureza através da sua capacidade inteligível, conseguindo assim, fazer o oposto de todas as outras espécies, adaptar a natureza a si e não o inverso. A questão que se coloca é se isso será produtivo na/para a eternidade? O que precisamos é rever nossos valores, precisamos rever aqueles que comandam a tecnologia. Pois um simples click pode dar a poucos um poder inimaginável.
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Fabricio Oliveira
Estudante do 4º ano de jornalismo - FATEA/SP
fabriciofbo5@gmail.com