Andreza Lage: De alguma maneira sim, o amor é considerado um afeto, para a psicanálise um investimento de energia psíquica, um impulso instintivo. O amor tende a funcionar como um modelo de busca da felicidade. Onde projetamos no ser amado aquilo que nos falta, ou seja, uma demanda de amor (afeto) para suprir a falta. Como diria Jacques Allain Miller “Amar verdadeiramente alguém é acreditar que, ao amá-lo, se alcançará a uma verdade sobre si. Ama-se aquele ou aquela que conserva a resposta, ou uma resposta, à nossa questão “Quem sou eu?”.
O amor seria, então, uma tentativa de fazer desaparecer a falta original do desejo. Um exemplo: estou sozinha e preciso de uma pessoa para amar, em seguida se conquisto o meu desejo (um relacionamento), teoricamente não me falta mais nada. No entanto, essa sensação é passageira, se o encontro amoroso proporciona, por um lado, um certo contentamento ao alimentar a ilusão da satisfação, por outro lado, implica sempre um efeito ardil ou uma emboscada, porque basta amar para que o sujeito caia em si e perceba que ainda falta algo, uma vez que na medida em que falta em mim, o outro também sente a mesma falta. A manutenção ou a continuidade desse amor vai depender de ambos quererem estar e continuar juntos. Resumindo, sempre continuamos desejando algo e é natural, faz parte da nossa existência.

