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A televisão, definitivamente, mudou


O primeiro beijo gay, exibido pela TV Globo, entre dois homens, nesta ultima sexta-feira (31/01/14), e a novela de Walcyr Carrasco, 'Amor à Vida', não são fatos que chegam a representar o início de uma nova era da televisão brasileira. Ao contrário, foi apenas mais uma novela. Recheada de problemas, 'Amor à Vida' conseguiu cumprir seu papel: entreter a sociedade de massa. E só!

Mas o beijo gay, tão prometido e esperado, é o gancho que esperava para dizer que a televisão brasileira, definitivamente, mudou. E não mudou de ontem para hoje, tem mudado com o tempo. É curioso ver que há pouco menos de dez anos os aparelhos de TV eram enormes, sem muita tecnologia. Hoje, o 3D e suas promessas realistas os transformaram em verdadeiras janelas do mundo. Afinal, através da televisão, conseguimos acessar a internet, jogar com os amigos do outro lado do planeta, e até assistir um filme ou uma novela.

Essa tal tecnologia foi além e mudou a forma como os profissionais passaram a fazer televisão, houve ao longo destes últimos anos uma transformação que se apresenta de forma mais significativa em relação ao conteúdo.

O que se via há anos, não se vê mais. O jornalismo não mais o mesmo, porque existe a internet, as novelas não são mais as mesmas, porque a sociedade brasileira mudou, passou a ter acesso a outras culturas, globalizou-se. Sentiu outras necessidades, transformou-se. A televisão e seus realizadores sempre precisaram fazer de suas produções um espelho da sociedade. Se hoje dois homens e duas mulheres podem construir família sem preconceitos, a televisão não pode se negar a refletir na tela essa evolução. Por isso o beijo entre Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) não podem ser dimensionados como marcos e sim como mais uma prova de que a televisão, de fato, tenta se aproximar da sociedade, a partir de inúmeras necessidades e interesses.

Mas ao mesmo tempo, é preciso encarar: é o fim de um tabu. É hora de virar a página e incorporar o novo costume. Nos anos 70, divórcio causava escândalo. Nos 80, a independência feminina assustou. Tudo foi absorvido pela sociedade. A aceitação do amor entre Félix e Niko é a prova de que evoluímos. E assim deve-se continuar.

Também poderíamos citar os índices de audiência. Não é de hoje que não são mais os mesmos. Mas desta vez a explicação é fácil. O avanço das classes sociais e o acesso a computadores, tablets, e às operadores de TV a cabo mudaram os hábitos, abriu-se um cardápio a clientes cansados, por anos, de comer o mesmo. Agora os pedidos e as escolhas são outras.

Por fim, a última cena. Fotografia incrível. O resgate de um amor entre pai e filho. Um final feliz, talvez me arriscaria a dizer que essa cena salvou a novela, salvou o último capítulo. Um verdadeiro exemplo de 'Amor à Vida'.

Avenida Brasil: uma ficção que mexeu com a nossa realidade

Avenida Brasil, de João Emanuel Carneiro, terminou, mas é impossível deixar de fazer alguns comentários sobre esta novela que 'parou' o país nas últimas semanas, ou até mesmo nos últimos 179 dias em que o folhetim marcou presença no horário nobre da Rede Globo.

O primeiro destaque surge com a confirmação do poder de influência e de mobilização que a televisão continua tendo no Brasil. Os índices de audiência não são os mesmos de anos atrás, mas a exemplo de Avenida Brasil, a televisão aberta ainda continua sendo o grande veículo de massa. As redes sociais, a internet e os dispositivos móveis tem construído um cenário alternativo para a comunicação, mas o interessante é que de certo modo todas as novas alternativas acabam levando o espectador pra frente da TV. Os novos meios de comunicação acabam não se sustentando e vendo-se obrigados a interagir com a televisão.

O ONS (Operador Nacional do Sistema), que coordena a operação de energia no país, declarou que estava preocupado com um possível apagão após o último capítulo da novela Avenida Brasil. Em geral, os capítulos finais provocam um efeito que os especialistas chamam de rampa de carga, que é o aumento súbito do consumo de energia elétrica. Quando a novela termina, as pessoas retomam as atividades: abrem a geladeira, vão tomar banho, acendem a luz. Em janeiro do ano passado, por exemplo, a novela Passione elevou em quase 5% o consumo de energia no minuto seguinte ao fim do capítulo. 

Se em um primeiro momento o poder de influência da televisão passa pelas teses do discurso acadêmico, agora ele se comprova diante desta necessidade do governo de ter que se preparar para os instantes finais de um último capítulo de novela.

Outro ponto que merece reflexão é o crossmedia que foi construído em torno da novela. A Rede Globo sabe como ninguém falar em seus programas de sua própria programação, mas o mais interessante é ver quase todas as emissoras dedicaram horas de sua programação para falar de um produto da concorrência. Reforçando para seus telespectadores o convite para que assistissem, na Globo, o último capítulo da novela. Vale ressaltar que isso não aconteceu nas principais concorrentes: Record e SBT. Este efeito Globo nas outras emissoras também pode ter contribuído para esta mobilização que tomou conta das principais rodas de bate papo do Brasil.

Muitos brasileiros se identificaram com os personagens e isso, certamente, ajudou a novela a fazer sucesso. Parabéns ao autor que soube usar o método identificação para prender o telespectador em sua obra. A partir do momento em nos reconhecemos na televisão, queremos falar como os personagens, usar as mesmas roupas, ou até mesmo torcer por aquilo que achamos justo e certo. Doses de influência que recebemos toda noite e que vão tomando conta de nossas vidas e mexendo com a nossa realidade.

Quando a palavra FIM toma conta da tela e perguntas ficam sem respostas - Qual foi o fim de Santiago?, o menino Picolé não foi adotado por Nina e Jorginho?, qual o fim de Ágata? e a irmã de Nina, voltou para a Argentina? o que aconteceu com Bethânia? - temos a certeza que, de fato, estávamos diante da ficção. Afinal, histórias não deixam de existir, como cenas não gravadas de um capítulo de novela.

Acredito que estamos carentes de bons temas e de bons produtos na televisão, por isso vamos na onda e acabamos nos contaminando. Avenida Brasil foi uma boa novela e seus autores e atores merecem nossas homenagens, afinal mostraram ao mundo o quanto somos bons, também na arte de interpretar. 

Estudo mostra que projeto da MTV sobre Aids mudou atitude de jovens

Pindamonhangaba /SP
Atualmente o papel dos veículos de comunicação vem sendo discutidos com exaustão. A mídia é apresentada e entendida pelos empresários como um negócio e assim visam apenas o lucro. Quando na verdade a palavra responsabilidade social deveria ser coluna dorsal de todo este processo, seja no campo da informação como no viés do entretenimento. Um bom exemplo está na notícia abaixo. Um projeto veículado pela MTV mundial ajudou no combate da Aids entre os jovens em diversos países da África. Programas de alerta foram exibidos pela emissora teen e pesquisadores descobriram que o pensamento dos jovens foi alterado sobre o HIV. É este o papel das emissoras de TV, dos jornais, das revistas: ajudar a sociedade a se protejer, prestar serviço. Um sonho distante para a realidade brasileira, uma pena!
Programas da MTV sobre o vírus HIV e a Aids, destinados a jovens de alguns dos países de mais alto risco na África e no Caribe, tiveram um efeito significativo no comportamento em relação à doença, segundo estudo divulgado esta semana.

Com o apoio da ONU (Organização das Nações Unidas), um projeto do canal de música MTV usou dramas de televisão destinados aos jovens para transmitir mensagens sobre os riscos de infecção pelo vírus HIV, decorrentes de sexo desprotegido, parceiros múltiplos e uso de drogas injetáveis, e também para dar informações sobre os testes, tratamentos e a superação do estigma causado pela doença.

Artigo da semana! TV GLOBO: A prova viva de que televisão mudou

Pindamonhangaba /SP 
Recentemente a Rede Globo de Televisão completou 45 anos. Em meio a tantas comemorações os atuais números de audiência são evidenciados como um dos piores resultados de sua história.

A venda de televisores no Brasil é estatística em curva crescente e o acesso às novidades é incentivado pelo bom momento econômico do país. Apesar desta realidade os números 'da maior e melhor emissora de TV', a Rede Globo, despencam. Para entender este desequilíbrio talvez fosse importante aceitar que a televisão mudou, que os hábitos são outros e que a concorrência existe.

Jornalista Armando Nogueira morre no Rio aos 83 anos

Pindamonhangaba /SP
Aqui nossas homenagens à Armando Nogueira!


O jornalista Armando Nogueira, criador do "Jornal Nacional", morreu hoje no Rio aos 83 anos. Segundo informações da Globo News, ele morreu em casa, na Lagoa, vítima de um câncer no cérebro, diagnosticado em 2007.

TV paga alcança 7,7 milhões de assinantes em fevereiro

Pindamonhangaba /SP

Os serviços de televisão por assinatura chegaram a 7,7 milhões de assinantes no Brasil, no mês de fevereiro, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma média de 3,3 pessoas por domicílio no Brasil, o que mostra que a TV paga chega a cerca de 25,5 milhões de pessoas no país.

Justiça inocenta Band e Boris Casoy em ação movida por gari

Pindamonhangaba /SP
Boris Casoy nunca foi para mim uma grande referência e agora tornou-se ainda mais insignificante. É um bom profissional, apenas! Pela justiça pode até ser inocentado, mas sua imagem nuca mais será como antes. Palavras iguais ao tempo, nunca se volta atrás.
A Justiça da Paraíba julgou improcedente a ação movida por Marcelo Brito, gari que alega ter se sentido ofendido com a declaração de Boris Casoy sobre sua categoria. No último dia de 2009, o jornalista, sem saber que estava com o microfone aberto, disse que o trabalho dos varredores de rua era o “mais baixo na escala do trabalho”, após a veiculação de uma reportagem em que dois garis apareciam desejando feliz ano novo.

Auditoria revela problemas no sistema de medição do Ibope

Pindamonhangaba /SP

Auditoria realizada pela Ernst & Young revela que o sistema de medição de audiência utilizado pelo Ibope está fora dos padrões de referência em 18,75% dos 80 domicílios avaliados. Os problemas foram encontrados nos equipamentos de aferição de público.

Cabrini estreia "Conexão Repórter" com reportagem sobre tráfico de crianças

Pindamonhangaba /SP

O jornalista Roberto Cabrini, contratado pelo SBT em 2009, estreia seu novo programa, o "Conexão Repórter", no dia 04/03. O tema da primeira reportagem será o tráfico de crianças no Brasil. Para elaborar a matéria, o jornalista viajou, ao lado de sua equipe, por quatro meses pelos lugares mais remotos do País.

Vídeo mostra em detalhes a queda do helicóptero da TV Record

Pindamonhangaba /SP
 

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Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com

Helicóptero da TV Record cai na zona oeste de SP; piloto morre

Pindamonhangaba /SP

Um helicóptero da TV Record caiu na manhã desta quarta-feira em um gramado no Jockey Club, na zona oeste de São Paulo. De acordo com o Corpo de Bombeiros, um dos tripulantes morreu e outro ficou ferido.

Ainda de acordo com o Corpo de Bombeiros, a queda da aeronave aconteceu por volta das 7h20. Sete carros da corporação foram encaminhados para o local. As causas da queda ainda são desconhecidas.

Sé resta saber quem ligou desta vez! - Oscar Roberto Godói é demitido da TV Bandeirantes

Pindamonhangaba /SP
A TV Bandeirantes coloca-se no mercado como um veículo de credibilidade, mas não são poucos os exemplos de jornalistas que perderam seus empregos nas empresas Saad depois que políticos ligaram para a presidência da emrpesa exigindo atitudes. Muitos se incomodaram com o que estes jornalistas falaram no ar. Como Godoy não tem papas na língua, resta saber quem foi o manda chuva da vez!

* O comentarista esportivo Oscar Roberto Godói foi demitido da TV Bandeirantes esta semana. O ex-árbitro participava dos programas Jogo Aberto e Terceiro Tempo, ambos da Band, além de ser comentarista da rádio Transamérica SP.

Reconhecimento? Jamais, talvez sucesso!

Pindamonhangaba /SP

Desde que entrei na faculdade sempre ouvi que estava diante de uma carreira cujo objetivo maior seria a conquista do sucesso pleno. Nunca acreditei nesta máxima, afinal sou jornalista não para ter sucesso e sim reconhecimento. Quero que meu trabalho seja ferramenta de mudança e transformação. Quero que meus colegas vejam o que faço como exemplo e não como piada.

MÍDIA BRASILEIRA - Regular e regulamentar, uma necessidade

Recentemente um deputado da Bahia durante entrevista ao programa 'Ver TV', da TV Câmara, disse uma frase que merece ser explorada. Na ocasião o programa de debates discutia o sensacionalismo nas redes de televisão e usava como exemplo os programas policias do nordeste, que fazem do espetáculo sangrento a notícia.


A polêmica frase proferida pelo deputado foi a seguinte: “A mídia tem quer regulada e regulamentada”. Em um primeiro momento podemos até transformá-la em sinônimo de censura, mas seria uma ignorância por parte de nós comunicólogos não darmos o grau reflexivo necessário para entender tal citação.


Na verdade as palavras do senhor deputado foram apenas estas, bem simples e objetivas, não houve a oportunidade para que se explicasse sobre o que seria regular e regulamentar a mídia brasileira. Por concordar com tal afirmação vou tentar tirar minhas próprias conclusões.


Atenção para o conteúdo


Regular a mídia nacional nada mais é do que controlar o conteúdo exibido na televisão brasileira. Como permitir que um apresentador, como em casos do nordeste, instigue a pena de morte ou a justiça com as próprias mãos.


A questão não se desenvolve no ato de controlar a informação, mas na possibilidade de discutir os formatos. Controlar poderia ser sinônimo de censura se estivéssemos aqui discutindo a proibição destes 'jornalísticos' na TV, ou a não publicação destes fatos, quando na verdade estamos apenas precisando de alguém que chegue à estas empresas e diga à elas que os formatos ofendem nossa Constituição, que por serem concessões públicas precisam oferecer conteúdo de qualidade à sua audiência.


Mas porquê elevar tal perspectiva a toda mídia e não só a estes programas policias? Os formatos são incontáveis e os exageros também, quantas vezes já discutimos neste mesmo espaço os excessos de inúmeros produtos da televisão. Uma desnecessária cena de sexo 'explícito' durante a novela das nove, a pauta sensacionalista de um programa vespertino ou matutino, a exploração da pobreza humano nos dominicais de auditório, o preconceito sendo estimulado ou ridículuarizado nos humorísticos.


Mais uma vez gostaria de reforçar a tese de que regular mídia não é o mesmo que censurar a mídia. A cena de sexo pode, mas em um horário adequado, o preconceito sendo instigado e a pobreza humana sendo usada como artifício para atrair audiência e consequêntemente deixar mais rico àqueles que são dententores de concessões públicas, jamais.


É válido ressaltar que ações com objetivos parecidos existem, haja vista as classificações indicativas. O que falta é pulso firme, os deslizes não podem ser encarados como deslizes, mas sim como faltas graves.


Os direitos e deveres


A proposta de regulamentação surge como um conjunto de leis que precisam ser elaboradas para gerirmos os conjuntos midíaticos do Brasil. A lei de imprensa foi extinta, para ser jornalista não é mais preciso ter diploma e as concessões públicas permitem que empresários façam o que bem entendem. Estamos prestes a viver em um terrítório sem leis, e por isso os abusos.


Por que não antes de renovar ou conceder um concessão exigir das emissoras de TV obrigações? Direitos há muitos, mas vejo pouco dos deveres.


Reunir todos os envolvidos deste nosso vasto mundo midiático brasileiro seja a melhor forma buscar soluções para um brasil melhor. Discussões, debates e fóruns devem dar origem a um documento que nos faça sentir orgulho da nossa TV.


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Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com

Artigo publicado pelo Observatório da Imprensa

Pindamonhangaba /SP

Depois de algum tempo sem escrever textos de opinião, foi publicado nesta terça-fera mais um artigo, de minha autoria, no site Observatório da Imprensa. Trata-se do: 'Jonalismo da Globo - erros e desafios de quem quer inovar'. Para ler o texto basta clicar na imagem.

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Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com

JORNALISMO TV GLOBO: Os erros e desafios de quem pretende inovar

Texto: Fabricio Oliveira

A TV Globo comemora em setembro próximo uma importante marca. O Jornal Nacional, o mais importante noticiário da emissora, completa 40 anos de existência. Durante quatro décadas o JN teve a oportunidade de levar a milhões de brasileiros registros da nossa história, que contribuiram para a construção da sociedade atual.

O JN nasceu ao lado do regime limitar, rendeu-se à ditadura ao preferir mostrar receitas, esteve no nascer da nova democracia e cronometrou os processos evolutivos do Brasil ao longo dos anos 90.

Em 2009 a 'Central Globo de Jornalismo' uniu-se ao esporte tornando-se 'Direção Geral de Esporte e Jornalismo', novo órgão que a partir de agora coordena os trabalhos jornalísticos da TV Globo.

Datas comemorativas servem para festejar e refletir, época de fazer análises do que passou e prospectar o futuro. Ao longo dos anos o jornalismo da TV Globo seguiu um certo padrão de qualidade. Não há como negar que os telejornais eram perfeitos, os textos muito bem escritos, as reportagens muito bem elaboradas e dinamicamente editadas. O formato 'quadrado' dos telejornais traziam credibilidade à emissora, mas ao mesmo tempo afastavam o público da realidade contada. Os âncoras nunca conversaram com o telespectador. Sempre mostraram-se extremamente formais.

Mas parece-me que estes bons tempos terminaram. Hoje a direção tem por missão mudar a linguagem do jornalismo. O JN, por exemplo, começou 2009 com inúmeras entrevistas ao vivo, o que provocou sucessivos erros na apresentação. Mais uma prova de que a informalidade nunca foi uma característica do antigo 'padrão de qualidade'.

A pergunta que fica é: até que ponto buscar uma nova linguagem, tornar-se informal, pode beneficiar um jornalismo acostumado com uma estrutura editorial fundamentada às suas ideologias há tantos anos? É válido errar, errar e errar, para daqui há alguns anos quem sabe acertar?

A TV Globo nunca quis mudar, até porque está satisfeita com a posição de líder de audiência e líder de opinião. Adaptar-se às novas tecnologias talvez pudessem ser o grande desafio. O problema é que outras emissoras de televisão resolveram investir, fazer diferente, conversar com o telespectador.

Todos nós gostamos de experimentar o novo. Os números mostram que o telespectador está mudando e trocando de canal. O que fez acender um sinal de alerta na sala de Carlos Henrique Schroder.

Perdida como cego em tiroteiro a ordem é contra-atacar e, infelizmente, da pior forma possível. As denúncias contra o dono e fundador da Igreja Universal, Edir Macedo, são provas disso. Usar este projeto de novo jornalismo como arma de uma guerra que desrespeita o telespectador, que vai além de acusações do Ministério Público, de dízimos ou financiamentos do BNDES, é a pior das estratégias. Também não sei até quando o popular será a bola da vez, mas agindo assim a TV Globo dificilmente reconquistará a audiência perdida.

Deslizes estes que refletem na editorialização dos telejornais da emissora com sede no Rio de Janeiro. O 'Bom Dia Brasil' nos traziam perspectivas para o dia, o 'Jornal Hoje' era uma revista leve, o JN relatava os fatos mais importantes e o 'Jornal da Globo' ficava responsável pela análise. Hoje é tudo igual, ainda não tive a curiosidade de fazer um trabalho científico neste sentido, mas percebo que uma mesma reportagem é reprisada em quase todos os noticiários. Imagino que a Globo acredita que todos os públicos transformaram-se em um só, quando na verdade quero ver o 'Bom Dia Brasil' não para assistir o mesmo conteúdo exibido no JG na noite anterior. Sem falar do 'Brasil TV', exibido pelas parabólicas entre as novelas das 18h e 19h, quando um apresentador re-apresenta o Jornal Hoje.

Este texto não tem por objetivo diminuir a importância da Rede Globo ou do seu jornalismo, afinal foi escola para mim e será ainda para muitos. Proponho que possamos fazer uma reflexão sobre um jornalismo que está errando. Sobre um jornalismo que não está sabendo enfrentar os desafios da concorrência. Que hoje preza por quantidade e não mais por qualidade.

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Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com

A imagem da mentira

Pindamonhangaba /SP

Caros amigos leitores a foto que você vê no início deste post é do programa 'A Fazenda' exibido pela Rede Record. Como se observa o GC do reality, cópia do tradicional BBB, mostra que Franciely é a eliminada da noite com 50% dos votos. Até aí tudo bem, o problema é que esta mensagem apareceu no início do programa quando as votações ainda não tinham terminado. E o pior, Franciely realmente foi a eliminada. Esta imagem só prova o amadorismo de uma emissora que pensa ser quem não é, que vive a custa do bom coração de pobres brasileiros. Lamentável, mais uma vez aqui está a prova da mentira!
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Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com

Datena - Um circo de horrores e mentiras

Pindamonhangaba /SP

A Rede Bandeirantes de Televisão já recebeu inúmeros prêmios do mercado pelo bom jornalismo que tradicionalmente executa. Mas parece-me que os valores estão mudando lá pelos lados do Morumbi, em São Paulo capital. Chega a ser vergonhoso para a classe jornalística saber que profissionais da informação trabalham para colocar no ar um produto de tão mal gosto. O programa Brasil Urgente, apresentado por José Luiz Datena, todos os dias a partir das 17h30, é um verdadeiro circo de horrores e mentiras.

Notícias sensacionalistas e imagens gravadas como se fossem "ao vivo" tem um só objetivo, atrair a audiência e segurar o telespectador pelo maior tempo possível. Sinceramente não sei se podemos classificar o programa apresentado por Datena como telejornal, na verdade o que nos parece é que o estúdio transformou-se em uma delegacia de polícia. O ancora faz papel de delegado, de modo a interrogar famílias para saber os detalhes de um crime.

Nesta última semana dois casos chamaram minha atenção, o primeiro surgiu logo na segunda-feira (11 de maio). "Um verdadeiro furo de reportagem!" Uma menina teria sido esquartejada por pessoas próximas à família e o corpo teria sido enterrado em diferentes localidades de uma cidade no interior de SP. Um bom telejornal policial daria destaque ao fato, até porque essa é a linha editorial de um produto televisivo assim denominado. Mas o que dizer de um programa que passa a desenvolver este único crime por três dias durante duas horas, de um apresentador que faz questão que seus repórteres apresentem detalhes da crueldade, de um GC (gerador de caracteres que fica no rodapé do vídeo) que apresenta frases do tipo "Menina é esquartejada e seus membros são enterrados pela cidade" ou "Garota esquartejada poderia ter sido alvo de magia negra".

Já na quarta-feira, 13 de maio, o Brasil Urgente transformou-se em uma partida de futebol. Uma manifestação na capital paulista deu a chance para que Datena pudesse expor seus dotes enquanto narrador esportivo. Por volta das 18h30 o apresentador anunciou que não haveria mais intervalo comercial até o fim do programa e a partir daí começou o circo, cada nova imagem era tratada como jogador que com belos passos está prestes a marcar um gol. Imagens gravadas ganhavam o logo "ao vivo", um mesmo helicóptero fazia imagens do local, mas Datena intercalava tomadas e dizia a seus telespectadores que duas aeronaves sobrevoavam a região em conflito. O pior de tudo é que imagens de um suposto segundo helicóptero já haviam sido exibidas minutos antes como “Band 1". Referências à concorrência também eram constantes, “coloca o passarinho aí, quero ver se tem coragem", referindo-se ao desenho do pica-pau exibido pela Rede Record no horário.

Estas evidências nos levam a uma nova discussão, que pode ser entendida por meio desta citação que peço licença para parafrasear. “As sociedades desenvolvidas passaram dois séculos lutando para garantir irrestrita liberdade de informação. Agora, quando a democracia plena é inquestionável, chegou a hora de questionar o que deve ser divulgado. A palavra de ordem era - publique-se. Agora é outra - vale a pena publicar? Antes, o compromisso era furar o bloqueio censório do autoritarismo para promover o esclarecimento público. Agora, em plena era da informação (ou do furor informativo), o compromisso é com o bem-estar a sociedade. Este é um compromisso na esfera individual, questão de consciência, independe das regulamentações e códigos da esfera pública. [...] Jornais movidos pelo vale-tudo do sensacionalismo, ensandecidos pelo Amok do Furo, dispensam treinamento profissional, qualificação pessoal, critérios, chefias, maturidade, experiência. [...] A imprensa brasileira continua chegando atrasada. Breve, chegará depois do seu próprio enterro".
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Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com

Uma TV popular ou popularesca

Pindamonhangaba /SP

As grandes emissoras do nosso país preparam para maio uma nova grade de programação. Novos projetos que prometem reconquistar telespectadores que migraram para outras alternativas de entretenimento. Pelo que se fala grandes mudanças serão percebidas no período da tarde, quando uma nova linguagem será apresentada ao público. Linguagem que na verdade nada tem de contemporânea, o que se pretende é resgatar programas populares, talvez popularescos.

Nos anos 2000

No início dos anos 2000 programas policiais e sensacionalistas tornaram-se fenômenos. Como esquecer dos discursos nervosos de Ratinho, das pegadinhas e dos testes de fidelidade de João Kleber, das narrações de perseguições da PM de São Paulo por Datena ou Marcelo Rezende.

No começo os altos índices de audiência puderam ser traduzidos em uma só palavra: sucesso. Mas com o tempo os exageros começaram a ganhar forma e os anunciantes decidiram investir em programas com melhor “qualidade”. Para combater os abusos a Câmara dos Deputados mobilizou, na época, a 'Comissão de Direitos Humanos e Minorias' e criou a campanha Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania (no rankig de 2008 que lista os piores da TV, a partir das denúncias feitas por telespectadores, o Terceiro Tempo, da Band, foi o programa que recebeu o maior número de denúncias, 1.200, seguido do Pânico, da RedeTV!, com 137).

As 'novidades' para 2009

Apresentadores e diretores declaram em entrevistas que a nova programação tem por objetivo criar intimidade com quem a assistirá. No SBT, por exemplo, Ratinho estará de volta muito mais 'venenoso, feroz' [adjetivos usados pela emissora nas chamadas do novo programa].

No entanto, o novo projeto de Carlos Massa é resultado de uma pesquisa que o SBT encomendou a dois importantes institutos de pesquisa: uma ao Ibope, a outra, à Retrato. Ambas apontaram que o público quer “Ratinho como advogado do povo”. Especula-se que o programa terá 80% de jornalismo, com noticiário, helicóptero, unidades móveis, material de agência etc. Segundo fontes, será “popular, porém decente”.

Outra novidade da emissora de Silvio Santos será Cristina Rocha, que promete surpreender o telespectador. O jeito educado de Regina Volpato no camando do Casos de Família dará espaço a discussões acaloradas, a bate bocas recheados de insultos.

A Rede TV! já segue uma linha 'popular' com o programa da jornalista Sônia Abrão, mas promete intensificar a linguagem nas pautas. A Rede Bandeirantes vai dar um novo cenário a Márcia, que também continuará a dar espaço aos problemas familiares.

Já a Rede Record pretende dar um novo programa a Geraldo Luís (apresentador do jornalístico Balanço Geral de SP). Colunistas de TV afirmam que Geraldo ocupará toda a tarde da emissora com reportagens policiais e inusitadas, quadros de humor e participação efetiva do telespectador.

Popular vs popularesco

Esta nova grade de programação que teremos a oportunidade de acompanhar a partir da próxima semana não conseguirá trazer em sua essência o espírito popular que deu início a este processo nos anos 2000. Não teremos de volta “o povo na TV”, veremos uma busca alucinada por índices de audiência, a qualquer preço. Se for preciso dar close em caixão, darão. Se for preciso quebrar mesas, quebrarão. Se for preciso fazer da TV um ringue, farão.

Acredito que o dicionário é o mais sábio dos livros. Já dizia Cecília Meireles que “o dicionário responde a todas as curiosidades, e tem caminhos para todas as filosofias. Vemos as famílias de palavras longas, acomodadas na sua semelhança, e de repente os vizinhos tão diversos! Nem sempre elegante decentes, mas obedecendo à lei das letras, cabalística como a dos números... O Dicionário explica a alma dos vocábulos: a sua hereditariedade e as suas mutações. E as suas surpresas de palavras que nunca se tinham visto nem ouvido!”. Por este motivo resolvi recorrer a ele, de acordo com Houaiss popular é o mesmo que aquilo que pertence ao povo, a gente comum, feito pelas pessoas simples (as festas folclóricas por exemplo). Já popularesco é aquele que tenta ter caráter popular, que tenta imitar o que é popular (será que nosso povo realmente gosta de brigas, discussões, sensacionalismo?).
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Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com

Artigos publicados pelo Observatório da Imprensa

Pindamonhangaba /SP

Caros leitores,

dois novos artigos, de minha autoria, foram publicados nesta terça-feira pelo site Obervatório da Imprensa. Para ler basta clicar nas imagens. O primeiro trata-se de uma discussão entre a mídia e a Igreja Católica (o texto publicado é diferente do já postado aqui no blog, apesar de ambos terem o mesmo nome 'Entre a cruz e os tempos". O segundo refere-se a reestréia do JN na última semana. A todos uma boa leitura.

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Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com