Entre alfinetes e verdades: o adeus a Clodovil

Pindamonhangaba /SP

Repercutindo a morte do Deputado Federal Clodovil Hernandez, pedi para que minha amiga e jornalista Emanuelle Najjar escrevesse um texto sobre o momento. Gentilmente em colocaboração a este espaço aqui está o material enviado:

Entre alfinetes e verdades: o adeus a Clodovil
por Emanuelle Najjar

Ontem, o Brasil perdeu uma das figuras mais controversas de sua história: Clodovil Hernandez. Dividido entre carreiras bastante distintas, o estilista, ex-apresentador de TV e deputado, foi conhecido sobretudo por seu gosto em causar polêmicas. Desbocado, sem papas na língua, ranzinza e possuidor de uma "sinceridade" que aparentemente desconhecia circunstâncias e limites. Parecia ter sempre uma palavra ferina para dizer, ou algum ingrediente para dar os famosos tapas com luva de pelica. Os alvos eram bem democráticos: espectadores dos programas que apresentou, celebridades ou políticos. Esse "dom" lhe rendeu a eleição para deputado em São Paulo, com cerca de 500 mil votos.

Talvez seu trabalho na política tenha decepcionado seus eleitores, por sua declarada falta de projeto político, ou palavras que pudessem ser mal interpretadas frente à mídia ávida por escândalos, ou outras que realmente fossem desnecessárias, ou até mesmo preconceituosas... mas certamente também fez a alegria do povo ao reclamar em palanque sobre a falta de respeito com quem discursava.

Com altos e baixos, aos 71 anos, ele deixou para trás fãs e inimigos. As pessoas o amavam ou o odiavam, sem meio-termo. E, mais interessante era afirmar que seus inimigos, certamente deveriam ser admiradores. Não por sua polivalência, seus múltiplos talentos no que dizia respeito à arte ou coisas do gênero.

Talvez em um futuro próximo as pessoas pouco se lembrem de que ele foi um famoso estilista, com credenciais de cantor e ator. Provavelmente lembrarão de um senhor de idade, homossexual, deliciosamente desbocado. Será lembrado como alguém a frente de seu tempo, em qualquer circunstância, cercado de pessoas fiéis, seja por ódio ou admiração.

Admirado é aquele que diz o que pensa, se destaca na multidão. Abençoado numa terra de ninguém aquele que arca com as consequências daquilo que faz ou diz, em palanques políticos, programas de televisão ou simplesmente na vida. E, certamente Clodovil o foi. Ah, se foi...

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Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com