Alguns podem até achar que estou perseguindo a Igreja Católica, mas ao contrário. Só não gostaria que estes absurdos propagados pelo Vaticano fossem verdade. Com que moral a Igreja vem a público e diz que a máquina de lavar trouxe mais liberdade a mulher do que a pílula? As declarações que emergem-se estes dias são simplesmente absurdas, falas e ditos que me fazem sentir vergonha de ser católico.
Ontem acompanhei pela 'Band News' uma entrevista do promotor de São Paulo Roberto Tardelli que me fez fazer a seguinte reflexão: a menina de 9 anos, estuprada pelo padrasto corria sérios riscos de morte. Este foi, portanto, o principal motivo para que os médicos e a família decidissem pelo aborto.
O arcebisbo da diocese de Olinda/Recife, por sua vez, declarou que a morte daquela criança gerada pelo estupro, foi um crime gravíssimo, já que a prática interrompeu a continuidade da vida.
Pensemos, se a gravidez continuasse quem poderia morrer era a menina de 9 anos. Ao mesmo tempo em que a Igreja defende a vida daquela criança resultado de um estupro, em um útero ainda não formado, defende a morte. Já que a mãe poderia não resistir a gestação.
De acordo com o promotor podemos tirar as seguintes conclusões: 1º o arcebisbo perdeu uma ótima oportunidade de calar a boca, 2º jamais o estupro é um crime menos importante que o aborto, ao contrário, o estupro é muito mais grave que o aborto, 3º diz o promotor "se olharmos o código penal brasileiro, quem na verdade cometeu um crime foi o arcebisbo ao chamar de assassino o médico que defendeu a vida de uma menina de 9 ano. Ele expôs de forma negligêncial a vida e a família envolvida no caso".
Nesta mesma entrevista o jornalista apresentou uma reportagem sobre o caso que apresento a seguir. Para esta notícia me faltam palavras, leiam, caros leitores, e reflitam.
Máquina de lavar fez mais pela mulher do que pílula, diz Igreja
Fonte: Reuters

Posição do Vaticano está no artigo 'A Máquina de lavar e a liberação das mulheres: ponha detergente e relaxe'
CIDADE DO VATICANO - Feministas do mundo todo, é melhor sentarem-se para ler isso: o jornal do Vaticano diz que a máquina de lavar talvez tenha feito mais pela liberação da mulher no século XX do que a pílula anticoncepcional ou o acesso ao mercado de trabalho.
A conclusão consta em um longo artigo publicado na edição do fim de semana do jornal semioficial do Vaticano, o L'Osservatore Romano (capa do jornal na ilustração), por ocasião do Dia Internacional da Mulher. O título era "A Máquina de lavar e a liberação das mulheres - ponha detergente, feche a tampa e relaxe".
"O que no século XX fez mais para liberar as mulheres ocidentais?", questiona o artigo, escrito por uma mulher. "O debate é acalorado. Alguns dizem que a pílula, alguns dizem que o direito ao aborto, e alguns (dizem que) o direito a trabalhar fora de casa. Alguns, porém, ousam ir além: a máquina de lavar."
O texto então conta a história da máquina de lavar, desde um modelo rudimentar de 1767 na Alemanha, até os modernos equipamentos com os quais a mulher pode tomar um capuccino com as amigas enquanto a roupa é batida.
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Mulheres me respondam: O mais importante para vocês foi a conquista de poder colocar sabão em pó na máquina de lavar e depois relaxar?
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Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com