Pindamonhangaba /SP
Todos os dias quando acordo pela manhã faço questão de dar uma geral pelos sites noticiosos. Procuro descobrir o que aconteceu enquanto dormia. E acontece muita coisa..., enquanto vivenciamos a noite outra parte do mundo cultiva o dia. Parece abusrdo mas nos dias de hoje gente matar gente é comum, bombas explodirem no Oriente Médio são normais e anúncios de desempregos em massa tornaram-se rotina.
Agora, que reações ter quando nos deparamos com a notícia de que um pai sequestra a filha, coloca-a em um avião e o joga contra um shopping. Resultado: os dois morreram.
Isso pode até parecer um tanto grosseiro, mas a morte da menina não chamou tanto a minha atenção. Acredito, incansavelmente, no destino. Talvez, pelos caminhos de Penélope Barbosa Correia estivessem as estradas destes apenas cinco anos. A forma, o avião, a tragédia, os desatinos do pai, podem ser apenas meios de se escrever uma história triste de se ler.
Kléber Barbosa da Silva, o pai de Penélope, era acusado de inúmeros crimes, inclusive de estupro (que tanto discutimos esta semana). Sequestrar um avião e jogá-lo contra uma montanha para tentar se livrar dos problemas eu até entenderia, mas matar a própria filha como desculpa é algo que não consigo compreender. Um doente, um psícopata, uma homem prestes a sofrer um ataque dos nervos não conseguiria manter um avião no ar por mais de três horas. Não consegueria planejar um crime que resultou em uma tragédia de clamor nacional. Enfim, ele sabia o que estava fazendo, tinha consiência de quem estava ao seu lado no monomotor.
O fato é resultado de algo muito mais profundo, é fruto de laços familiares destruídos, de valores perdidos em um passado sem lembranças. Quando no início do século 20 um pai teria a coragem de matar a própria filha como solução para seus problemas? Hoje a instituição família não faz mais parte do cotidiano de muitos brasileiros. Nei sei do que somos capazes de fazer?
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Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com