Em razão do grande número de visitas e comentários sobre o post, que discute a posição da Igreja Católica frente ao caso da menina de 9 anos, resolvi continuar com o assunto. Desta vez você tem a opotunidade de ler um texto da jornalista Emanuelle Najjar.
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Os dogmas e verdades alheias
por Emanuelle Najjar
Depois da repercussão do caso da menina de nove anos grávida de gêmeos em Pernambuco, e principalmente da reação da Igreja Católica, uma discussão se torna bastante válida: a interferência da religião na vida em sociedade.
Religião, a exemplo do que disse meu amigo e colega de profissão Fabricio Oliveira, é uma coisa muito pessoal.
Pessoal, significa que ela faz parte da educação que se recebe em família, daquilo que se recebe em casa e que se reflete em posturas e atitudes pessoais. Algo particular, que varia de acordo com costumes e geografia e que não deve ser imposto.
Sim, a cada momento, há uma tentativa de impor o ponto de vista religioso na vida das pessoas, especialmente na política. O que podemos dizer da proibição em certos municípios na distribuição de pílulas do dia seguinte, ou de preservativos em escolas? Ou de movimentos para impedir pesquisas com células-tronco, alegando direito a vida?
Estranho. Sempre disseram que o Estado era laico. Dogmas religiosos não deveriam ser empurrados para uma população que não a segue. Não deveriamos admitir que eles nos fossem impostos sob formas de decretos e projetos de leis, disfarçando a verdadeira justificativa sobre serem “coisas de Deus”.
Mas simplesmente esquecemos. Preferimos deixar que “verdades” alheias nos afetem – leia-se dogmas alheios, afinal nem todos no mundo são católicos e evangélicos – e sermos comodistas. Afinal, quem se dispõe a arriscar perder uma vaga no reino dos céus?
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Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com