Discutindo o induscutível

Pindamonhangaba /SP

por Fabricio Oliveira

Esta semana o STF ganhou destaque na imprensa não por ter votado ações que pudessem agilizar o judiciário brasileiro, mas porque resolveu fazer uma grande palhaçada: discutir a obrigatoriedade do diploma para os que oficiam a profissão jornalista.

Há 40 anos existe uma lei em nosso país que diz que para ser jornalista é preciso cursar uma faculdade e conquistar um diploma. É certo que a regra foi criada em meio ao regime militar, mas não há o que discutir. É inaceitável perder tempo com este assunto. Diploma tem que ser obrigatório para a profissão e ponto final.

Colegas de porfissão sejamos honrosos. Paremos de ficar escrevendo textos com justificativas repetitivas, como se precisássemos de favores destes que ganham muito para não fazer nada.

É claro, mais uma vez a justiça e seus comandantes mostram-se a favor dos ricos, amantes do capitalismo. A discussão surge para defender poucos, homens marajás que por terem dinheiro no bolso sentem-se no direito de exercer a profissão. Mais vergonhoso ainda é proprietário de jornal, TV, rádio, etc, dar emprego a estes "seres". Juíses! Não discutam o induscutível! Façamos leis para punir foras da lei!

O STF é fraco e medroso, por isso vem adiando a tão esperada audiência. Como agradar a elite e ao mesmo tempo não jogar no lixo 40 anos de universidades pulverizando-se pelo Brasil. Dispensar o diploma do jornalista é o mesmo que assinar uma autorização para rasgarmos a Constituição Federal.

Se quiseres respeito, primeiro respeite-nos. Valorize quatro anos de luta de inúmeros brasileiros que muitas vezes pegaram o ônibus com o dinheiro da pssagem, que perderam momentos com a família para conquistar um registro profissional.

Acompanhando toda esta balburdia pelos sites pude observar algo muito recomendado para este relato. Uma pesquisa com mais de 300 internautas do portal UOL revelava, na ocasião, que 17% dos votantes achavam desnecessário a obrigatoriedade do diploma. Gostaria de dizer a estes 'homens' que o Brasil está esta porcaria por causa da existência deles. Espero que um dia sejam atendidos por um açogueiro, já que a faculdade de medicina é dispensável.

O resultado um dia virá, caso optem pelos ricos estaremos aqui para brigar. Se escolherem por nós, pobres e oprimidos, assunto encerrado. Afinal, não fizeram mais do que a obrigação.
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Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com