Jornalistas - O que esperar da profissão?

Pindamonhangaba /SP

Há pouco tempo as faculdades de comunicação tornaram-se moda entre os jovens. Novas oportunidades e um vasto mercado de trabalho, com salários razoavelmente bons, fizeram com que muitos estudantes desistissem dos clichês empregatícios para desvendar um novo universo, o dos jornalistas.

Este êxodo pode ser entendido em razão do grande número de veículos de comunicação que surgiram nesta última década. Se pararmos para uma reflexão, certamente, ficaremos impressionados com o grande número de novos sites, jornais, TVs e rádios que nos cercam pelas cidades deste Brasil.

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) as faculdades nacionais formam em média sete mil novos jornalistas por ano. Segundo o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Sérgio Murillo de Andrade, atuam em todo o território mais de 60 mil profissionais. Em 2009 cursos de comunicação tornaram-se mais concorridos do que medicina, por exemplo.

Mas o excesso traz problemas. É verdade que houve um aumento no número de vagas no mercado de trabalho, mas também é verdade que não há espaço para todos que já se formaram ou que ainda estão por vir.

O talento, a criatividade, o saber falar várias línguas, podem ser pontos fundamentais na disputa por uma colocação. Agora, é preciso saber encarar a realidade, mesmo destacando-se não há redações e microfones para todos. A solução vem com os concursos públicos, que além de oferecer bons salários proporciona estabilidade social e financeira.

A construção deste texto surge a partir de uma experiência própria. Sou recém formado, faço estágio desde o segundo ano de faculdade em um veículo impresso regional e também procuro melhores condições de trabalho. Por este motivo resolvi me inscrever em um concurso público, há pouco soube do resultado. Passei, espero em breve ser contratado. Mas desde o dia em que fiz a prova não deixo de refletir a respeito da profissão que escolhi para minha vida.

É preciso fazer mudanças emergenciais nas diretrizes curriculares das faculdades de jornalismo ou as empresas estão à procura de profissionais que as faculdades não formam. Na prova da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), por exemplo, os candidatos ao cargo de jornalista foram indagados sobre relações públicas, publicidade e propaganda, marketing, entre outras atribuições que não vejo como as de um jornalista.

É importante ficar claro que conhecer o funcionamento das diferentes esferas do mundo da comunicação só contribui para um bom trabalho de departamento. Mas selecionar profissionais a partir destes saberes é o mesmo que anunciar o estilo de jornalistas que empresa do Estado pretende contratar.

Jornalistas são comunicadores, mas não devem desempenhar a função de relações públicas, etc. Ser jornalista é profissão e portanto merece o respeito. Esperamos que um dia empresas e veículos de comunicação tomem consciência, de modo a mudar esta realidade tão dispersa de princípios.
---
Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com