No Brasil não é diferente. Cinco ou seis emissoras de televisão são responsáveis por construir gerações, o pouco diálogo familiar faz com que crianças, jovens e adultos procurem no controle remoto respostas muitas vezes dispersas da realidade. Respostas que inteligentemente são carregadas por palavras que nas entrelinhas nos levam a um raciocínio conveniente aos interesses deste primeiro emissor.
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima-se que a televisão está em 42 milhões de lares brasileiros. Estes números mostram o quanto este meio de comunicação é popular em nosso país e o quanto ele é poderoso frente à opinião pública. Na verdade, guardadas as proporções, podemos comparar a televisão com os líderes de opinião, homens e mulheres que à frente de um grupo (a sociedade brasileira) convencem os reunidos a pensar de forma igualitária. Quantos políticos já não foram eleitos ou cassados depois de reportagens do Jornal Nacional?
Acredito que já está mais do que provado o poder de persuasão da televisão, mas muitos esquecem do fator educação. O que aprendemos enquanto assistimos televisão?
O que as novelas, os telejornais, os desenhos, os filmes mostram são de fato conteúdos que podem ser absorvidos como fonte de conhecimento? São realidades factíveis com o mundo existente fora da sala de TV?
O que assistimos são verdades camufladas de um glamour exacerbado. A televisão brasileira erra ao preferir quantidade, ao equivocar-se com este povo que a tem como professora. Os indianos ficam constrangidos ao saberem que suas mulheres são vistas no Brasil como sinônimos de saris brilhantes, jóias caras ou danças a todo instante. De modo algum podemos criticar a proposta de ensinar e mostrar ao brasileiro uma nova cultura. Mas fico perguntando-me que se ao exagerarmos não estaríamos nós ensinando uma cultura que na verdade não existe. O que estaríamos nós, portanto, ensinando?
Programas policiais deixam a notícia de lado para mostrar em detalhes como os traficantes agem para fabricar drogas ou comprar armas. O crime organizado é ensinado a crianças que chagam da escola às 18h.
Como ensinar uma sociedade a ser preocupada politicamente com seu país se logo após uma reportagem sobre corrupção na Câmara dos Deputados exibe-se uma bela vitória da seleção brasileira de futebol.
As novelas e os telejornais são alguns dos inúmeros exemplos que poderíamos citar. Que diretores, produtores, e empresários repensem suas linhas editoriais, um veículo tão influente, como a televisão, não pode ser visto como mal exemplo para a sociedade, deve ser parceiro dos povos na construção de uma nação mais inteligente.
---Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com