Matéria especial: 'Gripe A' assusta os brasileiros

Quarta morte é confirmada; Ministério da Saúde diz que pandemia está sob controle

O Ministério da Saúde confirmou, esta semana, a terceira morte no Brasil por gripe suína (Influenza A H1N1). A vítima é um homem de 28 anos, que morreu no último dia 10 no Hospital de Clínicas de Botucatu (238 km de São Paulo). Ele começou a apresentar os sintomas, febre, dor de cabeça, náusea, vômito, tosse e congestão nasal, no dia 1 de julho. O homem, que não teve o nome divulgado, procurou o serviço médico no dia 4 e foi internado. O quadro clínico se agravou e ele foi encaminhado para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no dia 7. O paciente não resistiu e morreu três dias depois.

Último balanço do MS indica que o Brasil tem 1.027 casos confirmados da doença. São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro são os Estados com maior número de pessoas contaminadas. Para evitar pânico na população os responsáveis pelo combate ao novo vírus informaram que novas estatísticas não serão mais divulgadas e que só chegará ao conhecimento da imprensa o número de casos graves.

Especialistas acreditam que não há motivos para grandes preocupações, já que a mortalidade ocasionada pelo H1N1, atualmente, é a mesma de uma gripe comum. Segundo o ministro da saúde, José Gomes Temporão, a melhor forma de prevenir é buscar informação. “Estamos preparados para enfrentar um aumento no número de casos e temos um estoque de medicamentos capaz de atender a todos. Por isso podemos dizer que a transmissão do H1N1 no Brasil está sob controle. Pedimos para que a população busque informações na internet, através do Disque Saúde, nos postos de atendimento. Caso algum familiar apresente os sintomas ele deve ser levado a rede pública para que os testes sejam realizados. Todos os remédios são fornecidos gratuitamente”.

A Secretaria da Educação de SP orientou nesta semana os 210 mil professores da rede sobre o vírus Influenza A, foi realizada uma videoconferência nas escolas. A iniciativa teve como objetivo orientar os professores sobre as formas de contágio da doença, sintomas e medidas de prevenção que podem ser adotadas. O vídeo ficará disponível na página da Rede do Saber e poderá ser acessado a qualquer momento por professores que queiram tirar dúvidas a respeito do tema.

As orientações foram dadas pela doutora Telma Regina Carvalhanas, do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde, em parceria com a professora Eleuza Guazzelli, do Centro de Estudos e Normas Pedagógicas da Secretaria de Estado da Educação. Também já está disponível no site da Secretaria (http://www.educacao.sp.gov.br) um informativo elaborado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica com orientações de hábitos de higiene no ambiente escolar. "Esta é uma importante medida preventiva para toda a rede", afirma o secretário Paulo Renato Souza.

No Vale do Paraíba. Recente balanço divulgado mostrou pelo menos 21 casos da doença em nossa região, 19 nas cidades de São José e Taubaté, um caso confirmado em Guaratinguetá no fim de junho e outro confirmado em Aparecida.

A diretora do Departamento de Saúde de Taubaté explicou que a situação está sob controle, mas é importante que as pessoas evitem ambientes fechados, e que os portadores do vírus sigam as recomendações da Vigilância Epidemiológica.

O Hospital Regional do Vale do Paraíba, em Taubaté, é a unidade de referência onde os portadores do vírus recebem medicação adequada e fazem os testes para diagnóstico da doença.

O que é Influenza H1N1? É um novo subtipo viral da mesma família da gripe convencional. Sua transmissão para humanos foi detectada pela primeira vez em abril desse ano nos Estados Unidos. A disseminação do vírus por todos os continentes levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a declarar pandemia.

Os principais sintomas da doença são tosse e febre alta, mas podem variar. O vírus pode ser transmitido de pessoa para pessoa por meio da tosse ou espirro.

Rede para atendimento em SP. A rede de referência paulista da Secretaria da Saúde para atendimento de casos suspeitos da gripe A (H1N1) conta hoje com 18 hospitais públicos e o apoio de 13 unidades privadas de saúde.

Todas foram orientadas para identificar casos suspeitos, monitorar a circulação do vírus e atender pacientes com sintomas de doença respiratória aguda. Esses locais ficam de prontidão para identificar qualquer caso e comunicar o fato imediatamente ao Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria e colher materiais para exames.

Até o momento, o Estado de São Paulo registra 457 casos confirmados da nova gripe. No total, cinco pacientes estão internados.

O Ministério da Saúde informa que qualquer dúvida também pode ser sanada por meio do Disque Saúde: 0800 61 1997.

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Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com