“Nada de estáticos, somos um verdadeiro quebra-cabeças de 12 peças unidas por mistérios ainda pouco desvendados”
![]() |
Por Fabricio Oliveira
Um terremoto de 8,8 graus na escala Richter, com epicentro no mar, atingiu na madrugada do último sábado a região central do Chile, a cerca de 300 quilômetros a sul de Santiago (capital do país). Os dados desta verdadeira catástrofe císmica foram confirmados pelo Instituto Geológico dos Estados Unidos (USGS).
O terremoto, que aconteceu às 3h34 pelo horário de Brasília, teve um minuto de duração, mas proporcionou a sensação de durar horas, segundo relatos. Santiago ficou às escuras, pessoas saíram às ruas e uma onda de saques tomou conta do país instantes depois.O tremor teve epicentro no mar, a 59,4 quilômetros de profundidade, na região de Maule, no centro do país, distante 99 quilômetros da cidade de Talca e 117 de Concepción. Até o fechamento desta edição o número de mortos já passavam de 800.
As diferenças com o Haiti. Em 12 de janeiro um outro abalo movimentou o mundo e fez comunidades espalhas por todo o planeta se unirem por uma única causa: o Haiti. As imagens que nos chegaram da América Central foram impressionantes, o terremoto de lá na escala Richter chegou a 7°. Já no Chile o terremoto que devastou o país no último fim de semana mediu 8,8°. Especialistas afirmam que no Chile a liberação energética foi até 900 vezes mais forte que no Haiti. Um diferença relevante refere-se a localização do epícentro, no Haiti há 10 quilômetros de profundidade, no Chile há 39. Um foi no mar, o outro no continente, por isso 'estragos menores'.
Tradição é tradição. Em 1960 o território chileno foi alvo do pior terremoto já registrado na história do planeta, o tremores chegaram a 9,5°. Desde então uma política de controle foi criada, hoje os engenheiros ao construírem um prédio levam em conta as instabilidades císmicas. Dinheiro, economia estável e preparo podem ser fatores decisivos no saldo final que teremos há semanas, mas a certeza é uma só. Diante do desespero nos tornamos um único povo. Sentimos medo, perdemos nossas casa, sofremos por não ter notícias, temos a sensação de que nossas vidas acabaram. Um retrocesso social que nos leva uma realidade única.
Previsões. Mas como prevenir a população mundial destes desastres naturais? Não há tecnologia capaz de alertar um país sobre a possibilidade de terremoto? A resposta parece não condizer com nossa realidade tecnológica, mas ela é simples e objetiva: não. “Os mistérios sobre o centro da Terra são mais intrigantes do que a escuridão do universo”.
E no Brasil? Tremores de terra são até comuns em algumas regiões do nosso país. Só que a força deles é bem menor. De acordo com especialistas, o risco de um terremoto de grande magnitude no Brasil é remoto, porque o Brasil está no meio da placa tectônica sul-americana e não nas bordas. A leste, a placa sul-americana encontra a africana. A oeste, onde está o Chile, a placa de Nazca. É nessas bordas que os terremotos acontecem com mais frequência por causa do atrito entre as placas. Mesmo assim, segundo os cientistas, não se pode descartar a possibilidade de terremotos no Brasil. O monitoramento dos observatórios indica que há várias áreas de risco no país.
“O nosso país, como todo e qualquer país no mundo, existem fraturas e falhas que podem ser reativadas. Certamente, os terremotos que acontecem são terremotos de menor magnitude, então a gente nunca espera que tenha um terremoto de seis, sete, dessa magnitude”, explicou George Sand França, do Observatório Sismológico-UnB.
As falhas geológicas explicam os pequenos abalos registrados desde sábado à noite, em São Caetano, a 20 quilômetros de Caruaru, no agreste pernambucano. O maior tremor foi de 2.9 graus na escala Richter, mas algumas pessoas se assustaram.
---
Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com
