Pindamonhangaba /SP
Os EUA e os países europeus não queriam o acordo com o Irã. Como maltratar ou sancionar aquele que está a sua altura socialmente no mundo? É preciso estabelecer hierarquias. Como vamos dizer que somos poderosos se não temos quem atacar? Aproveito para usar as palavras do presidente Lula na tarde de hoje em Brasília para confirmar esta minha opinião. Segundo Lula “tem gente que não sabe fazer política se não tiver inimigo”.
“Há quanto tempo vocês vêem essa briga entre Irã e conselho da ONU, os Estados Unidos e o Irã. O que eles queriam? Que o Irã sentasse e fizesse um acordo. Fomos ao Irã e conseguimos depois de 18 horas de reunião que o Irã fizesse aquilo que o Conselho de Segurança queria que fosse feito há seis meses. E é engraçado que muitas pessoas não gostaram que o Irã aceitasse o acordo”, criticou.
Para Lula, o Irã era “demonizado” pelas potências internacionais, mas depois de o país ter se disposto a negociar, os países desenvolvidos caminham para a rejeição do diálogo. “A verdade é que o Irã, que era vendido como demônio, resolveu sentar na mesa de negociações. Quero ver se os outros vão cumprir aquilo que queriam que o Irã fizesse”, disse.Em resposta ao progresso das conversas no Conselho de Segurança da ONU, o Irã afirmou que caso as sanções contra o programa nuclear iraniano sejam aprovadas, o país pode cancelar o acordo firmado com a Turquia e o Brasil, disse hoje o parlamentar Mohammad Reza Bahona, em Teerã.
Brasília e Ancara mediaram um acordo nesta semana em que o Irã concordou em enviar parte de seu urânio de baixo enriquecimento ao exterior em troca de combustível para um reator de pesquisa médica. A primeira leva está programada para chegar na Turquia dentro de um mês.
O acordo foi inicialmente sugerido como forma de permitir à comunidade internacional o acompanhamento do material nuclear que o Ocidente suspeita ser para a construção de armas nucleares no Irã.
Turquia, Brasil e Irã fizeram um apelo para suspender as negociações para novas sanções por conta do acordo de troca, mas críticos descrevem o acordo como uma tática para evitar ou adiar as sanções.
Esta posição é defendida sobretudo pelos EUA, que em nenhum momento manifestaram confiança nas promessas do Irã com o acordo e um dia após a assinatura dos termos deram prosseguimento às negociações para uma nova rodada de sanções contra o país na ONU.
Washington circulou um esboço da resolução de sanções, acordado por todos os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, depois de meses de negociações.
"Se (o Ocidente) emitir uma nova resolução contra o Irã, não nos comprometeremos com a declaração de Teerã e o envio de combustível ao exterior será cancelado", disse o legislador Mohammad Reza Bahonar, um dos mais importantes do Parlamento iraniano, à agência de notícias iraniana Mehr.
"As potências junto ao Conselho de Segurança da ONU chegaram a um consenso sobre o Irã e é bem possível que no futuro próximo seja colocado em operação uma quarta rodada de resoluções contra o Irã", acrescentou Bahonar.
As novas sanções teriam como alvo os bancos iranianos e um pedido para inspecionar navios suspeitos de transportar carga relacionada aos programas nucleares e de mísseis do Irã.
O Irã rejeitou anteriormente o esboço de resolução dizendo que falta legitimidade à proposta e que é improvável que ela seja aprovada. O país diz que suas ambições atômicas são puramente sem fins militares e se recusa a suspender o enriquecimento de urânio.
"Os americanos levarão o desejo de prejudicar a nação iraniana aos seus túmulos", disse o presidente Mahmoud Ahmadinejad a militares na quinta-feira, segundo a agência estatal de notícias IRNA.
Fonte: Folha On Line
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Fabricio Oliveira
jornalista
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