Torcer pelo Brasil pode fazer mal ao coração

Pindamonhangaba /SP 
Antes da notícia, vamos ao comentário. Hoje a seleção brasileira embarcou para a África do Sul. Começamos oficialmente nossa caminhada em busca de um sonho, o hexacampeonato.  O BC anunciou que os bancos poderão fechar no horário dos jogos e o Governo de SP autorizou a interrupção do expediente durante as partidas.  Nós faremo a nossa parte, torceremos como loucos, como amantes que somos deste esporte. Esperamos que estes jogadores façam o mesmo, tenham um compromisso com cada um de nós. Isso não significa que o título terá que ser nosso. Mas significa que não poderão desistir até o último segundo. Vencer e trazer o hexa será apenas consequência de um trabalho bem feito a partir do amor e do talento.
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Fim de jogo, zero a zero. Eles decidem um campeonato. O juiz dá o apito inicial e os atletas começam com a cobrança dos penalts. Tudo igual, o Brasil converte os cinco primeiros, os adversários precisam errar. Chegou a hora... chute pra fora... é campeão do mundo... é hexacampeão. O Brasil faz história, um espetáculo que emociona cada brasileiro.

Este clima é de deixar qualquer um com o coração acelerado. Pelo senso comum, é fácil constatar que os batimentos do coração do espectador sobem quando ocorre um lance perigoso em um jogo importante.

Agora, pesquisadores brasileiros querem entender de que forma a paixão pelo esporte pode causar problemas mais graves, como infarto e arritmias. Nesta Copa, cardiologistas vão mapear eventos cardiovasculares que possam ser relacionados aos jogos do Brasil.

Hospitais de referência de seis cidades vão contabilizar suas admissões por problemas cardíacos no dia anterior às partidas da seleção brasileira. Esses números serão comparados com as internações ocorridas por infarto, arritmia e derrame cerebral em dia de jogo e nos dois dias seguintes.

"A meta é obter dados de 5.000 pacientes. Podemos tecer comparações secundárias: nos jogos da primeira fase, a diferença pode não ser tão grande. Já nos jogos decisivos, os problemas podem aumentar", diz o cardiologista Álvaro Avezum, um dos pesquisadores.

Fortes emoções. O envolvimento emocional do torcedor é determinante para o aumento do risco. Em um momento tenso, o organismo libera noradrenalina, que causa aumento dos batimentos e constrição dos vasos, aumentando a pressão arterial. Esse cenário favorece arritmias e parada cardíaca, em casos mais extremos. "Isso não quer dizer que quem não tem nada não possa ter uma arritmia diante de uma emoção forte", diz o fisiologista Carlos Eduardo Negrão, diretor da unidade de reabilitação cardiovascular do InCor.---
Fabricio Oliveira 
jornalista 
fabriciofbo5@gmail.com