Políticos brasileiros são realmente representantes do povo?

Pindamonhangaba /SP

É fato que no Brasil a vida econômica da população melhorou, hoje a oferta de crédito é maior e os sonhos de consumo não estão tão distantes de nossas mãos. Mas só isso não basta para construirmos um Brasil de pessoas felizes com seu país. É preciso respeito dos governantes com quem os colocou no poder, um exemplo deste desrespeito esta no aumento abusivo que os políticos em Brasília votaram e aprovaram a seu favor.

No último dia de votação efetiva na Câmara de 2010, o plenário aprovou o projeto de aumento de 61,83% nos salários dos próprios parlamentares, de 133,96% no valor do vencimento do presidente da República e de 148,63% no salário do vice-presidente e dos ministros de Estado. O projeto iguala em R$ 26.723,13 os salários dos deputados, dos senadores, do presidente da República, do vice-presidente da República e dos ministros do Executivo. Esse é o mesmo valor do salário do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que serve como teto do funcionalismo público.

Enquanto um deputado sai de 14mil para 26mil discursos e mais discursos humilham o cidadão que sonha em ganhar cinco ou dez reais a mais no valor do mínimo. A pargunta que fica é: por que líderes políticos que representam o povo defendem tanto seus interesses e lutam tão pouco pelas sociedades que os colocaram nessas condições privilegiadas?

O professor e cientista político, Roberto Gonçalves, tenta explicar. “O Brasil é um dos dez países do mundo que mais assalta a população. E Isso acontece de diversas formas, seja por meio da corrupção ou dos altos salários que eles próprios os ofertam. Paralelo a isso é visível que hoje há um desinteresse da população pela política, o que acaba fazendo com que este quadro não se reverta. O que há é uma grande maioria que tem uma força política e que ainda consegue eleger 'representantes', a perifería brasileira. O problema é que esta periferia não elege seus representantes de fato, pois ali há um desinteresse das pessoas pela política. Elegem oportunistas políticos, cantores, apresentadores de TV, que são analfabetos politicamente e que veem a conquista do Congressso como a conquista de um emprego e não como a admissão da tarefa de representar e lutar pelos interesses do povo”.

Talvez neste momento seja preciso recorrer a frase do famoso dramaturgo Algusto Bual, "Cidadão não é aquele que vive em sociedade, mas sim aquele que a transforma". Ou seja, não basta querer que os outros mudem por nós, nós é que precisamos tomar a inciativa de mudar este país. É preciso sim que nosso povo volte a se interessar por política, como no precesso de redemocratização que deu fim ao período militar. Só assim com representantes legítimos poderemos sonhar um dia com uma Brasília mais honesta.