Será o fim? Abril demite 32 jornalistas e extingue duas Redações

Pindamonhangaba /SP
Há quem defenda o fim dos impressos e com ele o fim de toda publicação impressa. Talvez estes fiquem felizes com notícias como esta, mas ela precisa ser analisada de uma outra forma. Quando o jornalismo é executado com seriedade e tem por objetivo levar a sua audiência qualidade, ele nunca vai deixar de ter seu espaço. Sempre haverá leitores que sairãod e suas casas para ir às bancas ou ainda ligarão para fazer suas assinaturas.

Também é preciso levar em conta e aceitar que houve uma mudança, a partir do momento em que a informação tornou-se um objeto de faćil acesso e gratuito, cobrar por conteúdo pode ser arriscado. Ele precisa ser exclusivo e provocar a necessidade de uso por parte do usuário.

Mas o que acontece com a editora Abril na verdade é uma desculpa para pagar menores salários a outros jornalistas. Afinal, segundo informações boa parte dos 'demitidos' eram freelancers e a empresa anunciou que irá contratar outros 15 profisisonais nos próximos dias, talvez fazer remanejamento pudesse ser a melhor saida.

Por isso respondo a todos que sempre me perguntam sobre o fim dos jornais impressos, das revistas, etc. Não é o fim, o que há são empresários despreparados que não conseguem ver nos impressos uma oportunidade, que não usadam da criatividade como forma de reinventar seus produtos e assim conquistar este novo leitor, tão acostumado com o digital.

A Editora Abril demitiu 32 jornalistas nesta terça-feira (1/3), extinguindo as Redações das revistas Aventuras na História e Vida Simples. A decisão foi comunicada oficialmente nesta quarta-feira (2/3), em reunião com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.

Os jornalistas demitidos faziam parte da Unidade de Negócios 1, que apresentou queda nos resultados desde o segundo semestre de 2010. Segundo a empresa, os números negativos motivaram as demissões.

Em reunião com o sindicato, a Editora Abril anunciou algumas medidas para os jornalistas dispensados, como a prorrogação dos planos de saúde de dois a seis meses e o pagamento de gratificações, dependendo do tempo de casa.

Para o diretor do sindicato, Paulo Zocchi, não deveria haver demissões já que quase todas as Redações trabalham com freelancers e os jornalistas poderiam ser remanejados para outras publicações. “Não importa o que a Abril vai fazer com os títulos, nosso problema são os empregos.
A empresa teve um lucro absurdo, mas se ela fica pouco abaixo do lucro absurdo já começa a demitir gente para alcançar esse lucro”, critica Zocchi.

O sindicato também acredita que o grupo dispensou os profissionais para contratar outros jornalistas com salários mais baixos, já que a empresa alegou que 15 profissionais entrarão para a empresa.

Mesmo com as demissões, a Editora Abril informou, por meio de sua assessoria, que os títulos Aventuras na História e Vida Simples serão mantidos.
Fonte: Comunique-se
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Fabricio Oliveira
jornalista
fabriciofbo5@gmail.com