Em tempos de Rio+20, uma reflexão: as sacolinhas de supermercado
Em tempos de Rio+20 gostaria de convidá-los para uma reflexão que gira inicialmente em torno das sacolinhas de supermercado. É importante deixar claro que todos nós devemos nos preocupar com o futuro. Se não tomarmos medidas urgentes, certamente, gerações futuras terão problemas para sobreviver em nosso planeta. Por isso, ações como a Rio+20 são fundamentais. A população deve se unir e discutir o que fazer por um mundo melhor.
A crítica das sacolinhas de supermercado começa quando a proibição se traduz no interesse de alguns diante de um problema que tem causado e motivado forte preocupação da sociedade.
Há aproximadamente três ou quatro meses um termo de ajuste de conduta, assinado entre a APAS (Associação Paulista de Supermercados) e o Ministério Público, proibiu a ‘doação’ das famosas sacolinhas nos supermercados do Estado de São Paulo. A medida pode até ter fundamento e validade, quando se justifica pela diminuição de produtos plásticos no ambiente. Mas diante de nossa atual realidade a pergunta que fica é: elas foram proibidas para diminuir com a quantidade de plástico ou para diminuir com as despesas dos supermercados?
Informações dão conta que cada sacolinha custava R$0,04 para os estabelecimentos. Em média uma sacolinha suportava de quatro a cinco produtos. Em um fim de semana famílias consumiam por volta de dez sacolas. Ou seja, R$0,40. Sua compra ficou R$0,40 mais barata? As compras de supermercado não param de subir e ficam cada vez mais caras. Esta perspectiva nos faz pensar: o termo de ajuste de conduta foi para preservar o meio ambiente ou para preservar o bolso de donos de supermercado?
Está errado! Não é assim que se cria consciência ecológica. Todos os produtos que vão dentro das caixas de papelão, pouco higiênicas, são compostos por plástico. Proibir não é o caminho. O consumidor mais uma vez saiu no prejuízo. As compras continuam caras, sem qualquer desconto, e ainda para levar aquilo que compramos temos que pagar por bolsas, caixas, etc.
As sacolinhas biodegradáveis estão sendo vendidas a preço de custo? Uma mesma bolsa biodegradável tem valores diferentes de um supermercado para outro. As sacolinhas ou bolsas biodegradáveis são produtos do supermercado e estão lá para gerar lucro? As sacolinhas são biodegradáveis apenas se elas forem corretamente condicionadas em usinas de compostagem. Mas usinas de compostagem são poucas no Brasil, ainda não foram construídas na maioria dos Estados.
Não seria mais interessante se a APAS e os supermercados de São Paulo se unissem em uma grande campanha de conscientização para criar no consumidor aos poucos o desejo de deixar as sacolinhas e não a revolta por se sentir enganado? Buscar com os produtores e com empresas de pesquisa alternativas para o condicionamento de produtos de forma ecologicamente correta? Alternativas às embalagens plásticas. Ficou mais fácil proibir e obrigar o consumidor a abrir a carteira.
Em tempos de Rio+20 esta crítica não deve entendida como uma declaração de guerra às políticas ambientais, ao contrário. É apenas um exemplo de como as ações deveriam ser colocadas de forma diferente para trazer efeitos em longo prazo. É a percepção e a opinião de quem acredita que obrigar o ser humano a ser ecológico não é tão eficaz como criar no ser humano a consciência de ser ecológico.
Aos poucos os supermercados estão cedendo e voltado as dar as sacolinhas. ‘Aqui perto de casa isso já aconteceu! E perto de você?’ O Rio+20 quer erradicar a pobreza, diminuir a emissão de gases, cuidar dos oceanos, etc. E isso não se faz de um dia para outro. A Conferência da ONU tem propósitos muito mais complexos e seus objetivos são muito relevantes do que esta simples crítica. Espera-se que este exemplo possa provocar o mínimo da reflexão, que todos percebam a importância de se construir um mundo mais sustentável não com ações imediatistas, mas com planejamento. Estamos hoje preparando nosso próprio passado, por isso deveríamos ficar atentos a história que queremos contar.
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