Pindamonhangaba /SP
Belo trabalho dos advogados de defesa! É assim que podemos começar este comentário sobre o desenrolar do atropelamento do filho da atriz Cissa Guimarães. De acusado o motorista passa a vítima de extorsão policial. O crime de corrpução ganha espaço na mídia e Rafael, o jovem morto fica em segundo plano.
Quanta prepotência! Os acusados vão até a delegacia e denunciam policiais por crime de extorsão, mas pagam R$1 mil para se livrar do crime. Do outro lado da cidade pai, mãe e irmãos choram a tristeza de perder um importante membro da família.
Vamos aos crimes esquecidos de quem atropelou Rafael Mascarenhas:
- Estavam andando de carro em um túnel interditado;
- Estavam acima da velocidade permitida;
- Atropelaram um garoto de 18 anos e fugiram;
- Foram omissos de socorro;
- Aceitaram uma primeira proposta dos policiais.
Aqui em momento algum defendemos a prática policial, apenas pedimos justiça igualitária e julgamento preciso em todos os cirmes que envolvem este caso. Alguém atropelou e matou um garoto de 18 anos. Policiais são peças de uma prática corruptiva. Casos isolados que precisam ser analisaos de formas individuais.
Entenda o caso:
Os dois sentidos dos túneis Zuzu Angel e Acústico, na zona sul do Rio de Janeiro, foram reabertos para o trânsito de veículos às 5h40 desta terça-feira, após o término da reconstituição da morte de Rafael Mascarenhas --filho da atriz da TV Globo Cissa Guimarães. Os dois sentidos das vias foram fechados à 0h.
O jovem morreu na última terça-feira (20), ao ser atropelado por Rafael de Sousa Bussamra, 25, quando andava de skate no túnel Acústico, que estava com um trecho fechado para manutenção.
Os irmãos de Mascarenhas, Tomaz e João Velho, assistiram à parte da reconstituição. Poucos minutos antes de ir embora, João afirmou que "espera por Justiça".
Ao todo, foram reproduzidas seis versões: primeiro as dos skatistas que estavam com Mascarenhas; seguida pela de Gustavo Miraldes Bulus, 19, e Gabriel Henrique de Souza Ribeiro, 19 (carona e motorista do Honda Civic que acompanhava o carro de Bussamra). A terceira história reproduzida foi a de André (carona do carro de Bussamra). E por último, a de Bussamra.
Os policiais militares envolvidos no caso não foram chamados para comparecer ao local. A delegada da 15ª DP (Gávea), Bárbara Lomba, e o advogado de defesa, Spencer Marcelo Levy, acompanharam a perícia mas não quiseram falar com a imprensa.
CORRUPÇÃO
De acordo com a polícia, o atropelador Rafael Bussamra e o pai dele, Roberto Bussamra, devem ser indiciados por corrupção ativa. Os dois PMs, acusados de terem cobrado propina do motorista, após o atropelamento, devem responder por corrupção passiva.
O advogado de Bussamra afirmou nesta segunda-feira que seu cliente tentou registrar ocorrência após o acidente, mas foi impedido por dois policiais militares, no Rio.
De acordo com Levy, os policiais militares ameaçaram o jovem e um acompanhante dizendo que se eles fossem à delegacia "iam queimar" os PMs. Eles afirmaram que tinham nome, endereço e outros dados do motorista e de seu acompanhante.
"Se vocês me ferrarem a gente ferra vocês. Não vão mais na delegacia porque já desfizemos o local do atropelamento. Se isso acontecer... vocês vão queimar a gente e isso não vai ficar barato", disse um dos policiais, segundo o advogado.
A polícia investiga ainda a participação de um terceiro policial no caso. De acordo com a defesa de Rafael, os dois PMs que o abordaram conversavam, ou simulavam conversar, com um terceiro policial pelo rádio, que teria dito que o rapaz atropelado [Rafael Mascarenhas] estava bem e fora de risco.
De acordo com Rafael, os PMs exigiram o pagamento de R$ 10 mil para liberar o Siena preto que ele dirigia. Segundo o advogado, os policiais deixaram o carro --já amassado por causa do atropelamento-- em um posto de gasolina a cerca de 60 metros da delegacia da Gávea e levaram Rafael e seu amigo até a rua Pacheco Leão, no Jardim Botânico (bairro vizinho), onde o pai de Rafael, Roberto Bussamra, pagaria a propina. O empresário teria chegado ao local com R$ 6.000 no bolso, mas teria dado apenas R$ 1.000 aos policiais.
Levy afirmou ainda que os policiais aguardaram o reboque do carro de Bussamra para garantir que o rapaz não fosse à delegacia. O advogado disse ainda que todos estavam errados, inclusive os jovens que andavam de skate dentro do túnel, e que Bussamra cometeu apenas uma infração administrativa.
Ainda segundo Levy, o Siena dirigido por seu cliente não tinha condições de disputar um "racha" com o outro carro que também passava pelo túnel. "Um Siena mil apostar corrida com um Honda Civic seria a mesma coisa que uma motocicleta apostar corrida com uma bicicleta", afirmou.
PRISÃO
Durante reunião com a Justiça Militar e com o Ministério Público na manhã desta segunda-feira, a Corregedoria da Polícia Militar do Rio pediu a prisão preventiva dos dois policiais envolvidos na liberação do carro que atropelou e matou Rafael Mascarenhas. Segundo a corporação, caberá à titular da Auditoria da Justiça Militar do Estado, a juíza Ana Paula Barros, decidir se decreta ainda hoje a prisão dos PMs.
Com a decisão, os dois policiais devem ser transferidos para o BEP (Batalhão Especial Prisional), em Benfica (zona norte), onde permanecerão presos até a finalização do inquérito. Eles já estão presos administrativamente, determinada na última sexta-feira pelo comandante da PM do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte.
Duarte também tinha pedido a prisão preventiva dos PMs, mas o Tribunal de Justiça do Rio negou. O juiz Alberto Fraga informou que vetou o pedido por não haver indícios e provas para embasar a custódia tutelar.
MORTE
Rafael Mascarenhas chegou a ser levado com vida para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Ele passou por uma cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu ao final do procedimento médico. A Secretaria Municipal de Saúde informou que a causa da morte de Rafael foi hemorragia interna e politraumatismo. Seu corpo foi cremado na quinta-feira (22).
Fonte: Texto 'Entenda o caso' Folha.com / Fábio Grellet
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Fabricio Oliveira
jornalista
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